domingo, 5 de julho de 2015

Sol e Lua

Enquanto orbitou
Próximo ao sol
Recebeu e refletiu
Luz e calor

Bem consciente
E alerta
Esteve ele
Do lado escuro da outra

Até esperava
Que a inveja
Surgisse
E a lua decidisse
Afastar-se definitivamente
Para assumir
Ser toda escuridão

Só não esperava
O patético
Balde de água:
Tentativa pífia
De destruição

E o sol seguiu
Seu destino
De astro-rei
E a lua desejou
Deixar de existir


Ainda

Me agarro a essa saudade, como se fosse a única coisa que eu sentisse.
Como se fosse certo.
Como se fosse justo.
Como se fosse punição.
Lembro da última vez que estivemos juntos e imagino mil maneiras diferentes de terminar aquele encontro.
Como se fosse possível.
Como se fosse alcançável.
Como se fosse melhor.
Eu não teria dúvida.
As escolhas seriam outras.
Você não teria um segredo.
Aguardo pacientemente o término de nós dois.
Da mágica.
Do sonho.
Da tristeza.
E do amor.

sábado, 4 de julho de 2015

Conjunto

Bem-vindo
Meu amor
Te ofereço
Cor, colo
Aroma
Cuidado
Carinho
E atenção

Conversas
Alegres
Suporte
Bem querer
Acolhimento
E tesão

Peço em troca
Delicadeza
Discernimento
Prudência
Com palavra
E ação

(As pétalas
São frágeis
Mas os espinhos
Adoraram
Ver sangue
Jorrando...)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Movimento

Meu coração
Copo transparente
(Água decantada
Límpida na superfície)

A doçura
Açúcar cristal
(Pedacinhos da
Sua lembrança)

Aguarda a mistura certa
O redemoinho inevitável
Do seu movimento
Circulando em mim

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Acontece

Às vezes o amor acaba
Muito antes de "Eu te amo"
Deixar de ser dito
Repetidamente

Muito antes
Da parceria
Ser desfeita
E dos planos
Serem interrompidos

Muito antes do cuidado
Deixar de existir
Muito antes de
Realmente se desistir

É a inércia
De quem não se vê sem o outro

E às vezes o ódio começa
Muito antes do amor acabar

Dúvida

Tivesse eu
Não visto os teus olhos
Não respirado o teu ar
Não atendido o teu chamado

Não sentido o teu calor
Não alisado os teus pelos
Não tateado tuas partes
Não bebido teu suor

Não lambido a tua língua
Não ouvido teus gemidos
Não te recebido
Em minha fenda e vida

Estarias hoje a me atormentar
Com tua presença fantasmagórica?
Ou terias sido apenas mais uma
Das minhas fantasias
Protegidas da decepção
Por não serem realizadas?

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Morte

O poeta a menciona
Como metáfora
Romanceia
Clama por ela

Às vezes como alívio
Às vezes como expurgo
Às vezes como desejo
Às vezes um "te exconjuro"

Mas a morte de verdade
Do corpo
Do coração
Do cérebro

Da qual meu amigo
Falou com medo
(Seria tudo nessa vida
Menos poeta)

É o mistério
Do qual se evita falar
O arder das dúvidas
Não sanadas
Pela nossa vã filosofia
Ou pelas religiões

É o roubo do futuro
É o abandono aos filhos
E netos que ainda nem existem
É o esfriar da carne
É o fim dos sentidos
Do calor, do alcance

É uma pedra fria
E orifícios com algodão
É a impotência
Estapeando a sua cara

São os olhos dele
Não se abrindo
Nunca mais
O pó voltando ao pó

Amado artista
Poetize a vida
Os sentimentos
A beleza
Os amores
E as paixões

Mas a morte
Ah, a morte...
Essa..
De poética
Não tem
Absolutamente
Nada!