terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Limitada

Só sei escrever sobre pés andantes Que procuram fontes Que vislumbram pontes A sede da conexão com alguém Só sei escrever sobre mãos que clamam Almas que chamam Aos ouvidos não bloqueados A inocência de acreditar Só sei escrever sobre olhos de encanto Que buscam ninho e manto Aos que simpatizam com o frio A esperança de não se estar só E aos que clamam: "Monotemática! Entediante!" Só uma resposta: "Mea culpa Mea culpa Mea culpa..." Arlete Franco - Dezembro/2021

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Arlete

Dá um desconto aí Desconta a solidão O abandono E as portas fechadas na cara O não cabimento O não pertencimento O não ser de ninguém Quando ninguém fotografava Dá um desconto aí Do sobrenome que todo mundo tem Do "essa aí vai dar em nada Ou vai dar pra todo mundo" Da promissória que ninguém quer assinar Da esperança num futuro que nunca foi garantido Ou melhor: dá desconto não Cobra tudo! Houve anjos nas rodoviárias vazias na madrugada Houve mães nas mães das crianças bem nascidas Houve madrinhas e apostas de desconhecidos E o que eu não tive, aparentemente E graças a Deus Foi o que eu não precisava Pra chegar onde cheguei Chegar em mim Arlete Franco Setembro/2021

domingo, 10 de janeiro de 2021

Ofício

Poetas sangram palavras Ignoram anemias E seguem intensos pelo mundo Encantam-se com relâmpagos sutis Desprezam avisos E colecionam estrelas Poetas seguem maltrapilhos Entre tristeza e brilho No que existe de profundo Sobem ao céu em êxtase Descem pra Terra pelo humano E nunca são em vão Arlete Franco