quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Gourmet número 2

Meu musos revezam-se
Tiram-me da inércia
Causam redemoinho
Às vezes no sentido horário
Às vezes no anti
Às vezes contra a borda
Os aromas variam
Os temperos também
As emoções alternam-se
Surpreendem, arrebatam
Aceleram ou até
Param o coração
Mas nessa cozinha
(Fique bem claro)
A colher é deles
Mas o caldeirão
E o que vai dentro dele
É tudo meu

Paladar

Enquanto casadoira
Ela procurava
"Baunilha"

Estável
Previsível
"De família"

Crescidos os filhos
Tá que não
Se aguenta!

Que baunilha o quê!
Quer é chocolate
E com pimenta!

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Doce Lar

Um sentimento
Me invade
Ao chegar
No meu bairro
Quando o carro
Dobra a esquina

Mistura de alívio
E alegria
Porque chego
Ao que pertenço
Aos meninos
E à menina

Ali tem gatos
Meus sapatos
Meus livros
E quinquilharia

Meu domínio
Minha família
Meu ninho
Minha ilha

Onde tudo
É administrável
E contornável
Mesmo que
Imprevisível

Porque a balisa usada
Até na hora da dor
É o meu mais
Verdadeiro e
Incondicional amor

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Populares

Quem inventou
"Manda quem pode
Obedece quem deve"
Não conheceu
A nossa história

Quem disse
"Prá bom entendedor
Meia palavra basta"
Teria se espantado
Com a nossa comunicação
De silêncios

Quem acredita que
"Melhor um pássaro na mão
Do que dois voando"
Não conheceu as penas
Que víamos um no outro

Quem acha que
"Água mole em pedra dura
Tanto bate até que fura"
Soube da fluidez
Da sua teimosia
Mas não da dureza
De tudo o que eu quero

Quem concorda que
"Ninguém é insubstituível"
Nunca sentiu
O meu amor por você
(Hoje teria sido um bom dia
Para você ainda estar
Jogando no meu time)

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Criminoso

Eu tinha cinco aninhos
O homem era sozinho
Nem uma única pessoa
Para amá-lo
Ou lhe fazer companhia
E eu morria de pena

Um dia os pais descobriram
O homem era um pedófilo
A minha mãe me explicou
O que a palavra significava
E eu morri de raiva
De ter morrido de pena

domingo, 2 de agosto de 2015

Rata

Parabéns
És a escolhida
Da vez

Vou te olhar
E te querer muito
Te pegar desprevinida
Pelo cangote

Morder até te ver
Fechar os olhos
E perder o fôlego

Te jogar para cima
E ver-te cair
Sem piedade

E quando
Estiveres sem força
E te achares
(Ou fingires)
De morta

Sairei sem fazer baruho
Para que te sintas segura
E penses que voltaste
Ao normal

Estarei à espreita
Atrás da almofada
Esperarei
O tempo que precisar

Na hora
Que te levantares
E tentares
Sair de fininho
Engolirás a seco
Ao sentir
A minha pata pesando
No teu rabinho


sábado, 1 de agosto de 2015

Para a Moça

Moça querida
Que a tua vida
A partir de hoje
Seja uma larga avenida
Na qual desfilam
Em escola de samba
Teus amigos
E família
E com alegria
Celebrem
A pessoa maravilhosa
Que és

Que a música deles
Retumbe
No compasso
Do teu querer
E a tua boa fama
Chegue antes
Nos lugares
Que escolher

Que o pavimento
Tenha a quantidade
Suficiente de atrito
Para ser agradável
Caminhar
Mas evite escorregões
Enquanto passas descobrindo
O melhor que a paisagem
E a companhia têm a dar

Que haja em cada esquina
Uma casa acolhedora
De portas abertas
Para seu descanso
Um remanso
Após a jornada
Repleta de descobrimentos
Alunos e sorrisos

E que no destino final
Em que essa avenida desembocar
Haja saudades de boas memórias
E sempre o gosto de vitória
Que só tem quem sabe amar

Feliz aniversário, Cláudia Dominguez!