quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Miragem

Curtas as pernas
Das suas palavras
Longa a língua
Peçonhenta que fere

Curta a história
Do amor mentido
Longo o alcance
Da minha verdade

Muito fosco
Prá ser ouro
Miou demais
Para passar
Por lebre

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Globalizada

O alemão boa pinta prometeu um beijo francês no restaurante italiano. Ela entrou para o Curso Preparatório Básico de Massagem Tailandesa. Mas ele visualizou e não respondeu, e depois justificou-se dizendo que estava ocupado a comer chucrute. Ela mandou-o à sh#t, com seu inglês carregado de sotaque brasileiro, que ele tanto gostava.
True fictional story.

Um dia desses

Ela acordou bem cedo e foi malhar. O espelho comprovou que os abdominais estavam surtindo efeito. Depois, foi à reunião da escola das crianças. Comportamento exemplar, notas ótimas. Congratulou-se intimamente pela disciplina exigida. Almoçou uma salada de alface, rúcula e tomate. Mais tarde, sorriu ao ouvir da dentista: "escovação perfeita!" No ginecologista, exames laboratoriais 100 % normais. Mas decidiu cancelar a consulta com o psiquiatra. O dia estava maravilhoso, não queria falar sobre o seu TOC.

Cafajeste

Um dia, cheguei pela manhã, para tomarmos café juntos, e ele estava bravo comigo.
Perguntou-me se eu tinha deixado um recado escrito em batom no espelho de propósito.
Eu respondi que sim.
Ele me disse que não tinha lido, e foi descoberto por outra pessoa.
Fiquei piscando, olhando para ele sem entender qual era o problema.
Aí ele sacou um lacinho de cetim, que eu reconheci como sendo de uma calcinha minha.
"E isso aqui? Descolou sozinho?"
Também sem entender, respondi que provavelmente, porque eu não tinha nem me dado conta de que não estava mais lá.
Ele olhou furioso para mim, e deu de cara com o rosto da inocência.
Percebeu o erro, e acabou confessando, depois de pressionado: achou que eu era a namorada dele que sabia da outra namorada e o estava sacanenando.
Mas eu era a que não sabia.
Éramos três, ao todo.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Aliança

Não é o que eu sou
Não é o que ficou
Não são as histórias em comum
Não são as fotos dos álbuns

São, sim, o sonhos divididos
E as palavras trocadas
Em momentos únicos

São as paisagens que duas almas
Vislumbraram ao mesmo tempo
E as passagens secretas
Entre os dois corações

É isso que me faz confiar em ti
E no que há de mim
Aí dentro

É isso que nos atrai e mantém
E torna tu e eu
Simplesmente e sempre "nós"

Só meu

O meu canto
Tem almofada
Tem manto
Tem cortina
Tem pilha
De livro

A minha sala
É arejada
É preparada
Tem souvenirs
E sofás
E uma paz
Para descansar

O meu lugar
Tem meu cheiro
Minha luz
Acolhe
Quem gosto
E me seduz
Meu lugar
De amar

Otalgia

Sua voz
Me chega à orelha
Invade meus condutos
Eletriza os meus internos

Bate em martelo, bigorna
Perco as estribeiras
Atinge o cérebro queimando

Mas altera mesmo
É o labirinto
Perco o equilíbrio
E o rumo

Tudo roda e embaralha
Me apóio em você
Meu norte
Meu mastro forte