domingo, 13 de março de 2016

Variações Sobre a Espera

A espera é doce quando a flor é tão linda e perfumada quanto saboroso será o fruto.
A espera é música quando ouço seus passos num volume crescente, em intensidade de aproximação.
A espera é alegria quando sei que, à distância, ocupo os pensamentos de quem faz planos para nós.

sábado, 12 de março de 2016

Percepção

Eu devo parecer muito frágil
Porque se preocupam com as minhas paixões
Os meus planos e brincadeiras
E não cogitam que sei calcular os meus riscos

Eu devo parecer muito inflamável
Porque quando me falam indecências
O meu riso é frouxo
E a minha carne é quente
E se eu quero, não há limites

Eu devo parecer confiável
Porque problemas desembocam em mim
Meus ouvidos, meu sorriso
Minha preocupação e intenção
E geralmente eu os soluciono

Eu devo parecer explosiva
Porque as pessoas se acostumam com a doçura
E testam os limites e abusam do crédito
Que pensam ter até a decepção
Até rolarem ladeira abaixo, depois da patada

Eu devo ser transparente
Para quem olha com boa vontade
Ou tão límpida, limpa, brilhante
A ponto de refletir o âmago das pessoas
E elas ainda acharem que a culpa ou o mérito são meus

quinta-feira, 10 de março de 2016

Vida

Estampado na minha pele
Nenhum prazo de validade
Sempre soube que a minha conservação
É de minha responsabilidade

Já perdi as contas das ondas
Que pulei com dificuldade
E dos tsunamis que rolaram dos meus olhos
Nos amores de eternidade

Mas o cheiro de maresia me pertence
O horizonte ao longe é o que eu quero
A dança dessa cena eu escolho
Ora samba, ora tango, ora bolero

Ansiedade (Para Aden)

A espera é um furacão vindo do oceano a 2,5 km de velocidade, que foi detectado pelo meu radar há 3 meses.
A espera é uma fome que me torce o estômago olhando o quindim reluzente da confeitaria fechada.
A espera são as minhas veias pedindo picadas e você as usando para me mover como marionete.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Cantiga

Se essa rua fosse minha
Eu te dava uma casinha
Para morar perto de mim
E decretava que morador nenhum
Poderia vestir uma camisa

Não pavimentaria com brilhantes
Para que continuasses a andar descalço
Encheria as tuas mãos com eles
Para que vivesses teus sonhos
Que te levariam pra longe de mim

(Sim. É um sentimento confuso...)

domingo, 6 de março de 2016

Labirintite

Você
Com sua colher
De pau

Mexe algo aqui dentro
E eu
Sem rumo

Me ancoro na parede
Aquela em que você já esfregou
A minha coluna dorsal

E tudo roda
E eu espero
O fim da inércia centrífuga

Porque você pensa que é nada
E eu sei que não é tudo
E está na hora de você parar de me cozinhar

terça-feira, 1 de março de 2016

Provocação

Vou tocar a cereja com a ponta da língua
Não colocar na boca
Muito menos engolir

Sambar sobre os escombros
O nosso castelo abaixo
Já não há o que ruir

Não se preocupe
Não ficará à margem na minha vida
Você é a minha carta fora do baralho preferida