terça-feira, 15 de maio de 2018

Imprevisível

Às vezes, você morre na praia
Ou nada, nada, nada e... nada
Amigo, a vida tem disso

Uma coincidência o coloca numa emboscada
Um golpe de sorte a tira dela
Amigo, a vida tem disso

Pede e não recebe
Ganha o que nunca pediu
Sofre, reza, sofre o dobro
Trilha picada que não previu

Não há lógica ou controle
Respostas fogem
Dúvidas chegam

Fechar os olhos
Sair dos trilhos
Abraçar o inesperado
Encontrar caminhos

Amigo, a vida é isso

sábado, 5 de maio de 2018

Nome aos Bois

Às vezes a gente não faz amor
Faz carinho, amizade, respeito
Faz tesão, química
Mas sexo é toda vez!

domingo, 22 de abril de 2018

Manhã fria de abril

Eu sei de desamor. Aprendi vivendo.
Sei que você pode deixar de existir para uma pessoa quando não preenche o propósito que ela definiu para você.
Eu sei de despreparo. Testemunhei de perto.
Quem não cuida de si mesmo, não cultiva o bem estar, não é de construção não sabe amar.
Amar.
Eu não sei de amor.
Porque eu amo porque sim

terça-feira, 10 de abril de 2018

Pingos nos is

Bem sei
Que só me olha pra conferir estar sendo olhado

Bem sei
Que me reconhece borboleta
Na sua colmeia entediante

Bem sei
Que manter distância é o melhor a fazer
(Mais seguro pros dois)

domingo, 1 de abril de 2018

Frustração

Eu queria saber falar de afeto
Com distanciamento científico
Entender a sede, a urgência, o vácuo
Dos corações insaciáveis

Eu queria dissecar uma alma
Como já fiz com um corpo
Entender a dor, a busca, a desintegração
Depois do inesperado abandono

Eu queria entender de diferenças
De papéis que se invertem
De gente que sente prazer em causar dor

Eu queria ter respostas
Ser capaz de muitas outras perguntas
Eu só queria que fizesse sentido

quarta-feira, 21 de março de 2018

Dano

Corta
Carne
Sangra
Pica
Talha
Estraga
Danifica

Recupera
Granula
Fecha
Sara

(Nada dura para sempre)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Estranhamento

O barro de que fui feita
Tinha cinco tipos diferentes de argila
Um pózinho de ouro
E um analgésico intrínseco

Olho os ossos friáveis do meu pai
Que só existem sob olhares de plateia
E penso que não tem como
Eu ter saído dessa costela

Vejo o caos organizado da minha mãe
Planetas desalinhados e estrelas explodindo
E percebo que essa via láctea
Não foi de onde acabei me nutrindo

Observo meus irmãos e seus quereres
Tantas decisões, tão diferentes
Nossas hélices nem tão distantes
Nossos céus tão divergentes

Concluo que fizemos nossa história
Convivemos, aprendemos, adquirimos memória
Mas pertencimento é sentimento interno
E a gente vive é o agora