Nunca foi a minha intenção
Molhar minhas roupas e cabelo
Perder o norte
Perder o rumo
Perder você
Cheguei com muito cuidado
Para molhar os pés
Era quente o dia
Me sentia derreter
Nada mais justo
Nada mais puro
Nada mais burro
Escorreguei na pedra
A correnteza me agarrou
Mais rápido
Mais forte
Mais tontura
Mais medo
E o mundo girou
A respiração foi presa
Em reflexo de tentativa
De sobreviver
À cascata
Às pedras
À velocidade
Ao caos
E lá embaixo
A parede fria
Acima da minha cabeça
Crescendo rapidamente
O muro incalculável
Que me pesa por cima
A escuridão chegando por baixo
A entrega ao inevitável
A desistência
A desesperança
O fim
Procuro por oxigênio
Na sua boca
Onde está sua mão
Que não me massageia o peito
Cadê você
Que tanta promessa
Tinha nos olhos
Traga-me de volta à vida
Salva-me, doutor
terça-feira, 30 de junho de 2015
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Retorno
Pode olhar de novo
Sim, claro
Pode perguntar
Você me diverte
E eu lhe quero bem
Não, nada mudou
A conversa flui
A risada também
Ainda sou a mesma
Bem como você
Continuamos diferentes
Principalmente nas escolhas
Você me rotula "racional"
Eu me considero "precavida"
Você é bem vindo
Me mostrou uma saudade
E um amor cheio de carinho
Que eu não lembrava sentir
Mas não se esqueça
Existe só uma versão de mim
Que colocou você
Em seu devido lugar
Há muito, muito tempo atrás
Sim, claro
Pode perguntar
Você me diverte
E eu lhe quero bem
Não, nada mudou
A conversa flui
A risada também
Ainda sou a mesma
Bem como você
Continuamos diferentes
Principalmente nas escolhas
Você me rotula "racional"
Eu me considero "precavida"
Você é bem vindo
Me mostrou uma saudade
E um amor cheio de carinho
Que eu não lembrava sentir
Mas não se esqueça
Existe só uma versão de mim
Que colocou você
Em seu devido lugar
Há muito, muito tempo atrás
sábado, 20 de junho de 2015
Saudade
Nesse silêncio
Triste
Ecoam
Todas as frases em
Que lamentávamos
Os desencontros
Ouço a sua voz
E a minha
Alternarem-se
Mas só eu choro
Nesse silêncio
Absoluto
Estalam
Todos os beijos
Que não foram dados
Esfriam os abraços
Roubados
E a promessa
Concretiza-se
Nesse silêncio
Definitivo
Escoa o meu amor
Sugado pelo
Imenso nada
Que fomos nós
Triste
Ecoam
Todas as frases em
Que lamentávamos
Os desencontros
Ouço a sua voz
E a minha
Alternarem-se
Mas só eu choro
Nesse silêncio
Absoluto
Estalam
Todos os beijos
Que não foram dados
Esfriam os abraços
Roubados
E a promessa
Concretiza-se
Nesse silêncio
Definitivo
Escoa o meu amor
Sugado pelo
Imenso nada
Que fomos nós
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Mau Humor
Abraço a minha raiva
Com a mesma sinceridade
Que abraço os meus amores
Não estou a arquitetar
Os merecidos
Planos de vingança
E nem vou desejar
A morte de ninguém
Minha amargura
Não chega a tanto
Mas estou longe
De ser canonizada
E o golpe foi
Baixo demais
Doído demais
Sórdido demais
E à turma do
"Deixa disso"
E a do
"Perdoar é divino"
Um aviso:
Calem a boca
Senão serão
Odiadas também
Tudo tem seu tempo
Passa noutro dia
Ou noutra vida
Com a mesma sinceridade
Que abraço os meus amores
Não estou a arquitetar
Os merecidos
Planos de vingança
E nem vou desejar
A morte de ninguém
Minha amargura
Não chega a tanto
Mas estou longe
De ser canonizada
E o golpe foi
Baixo demais
Doído demais
Sórdido demais
E à turma do
"Deixa disso"
E a do
"Perdoar é divino"
Um aviso:
Calem a boca
Senão serão
Odiadas também
Tudo tem seu tempo
Passa noutro dia
Ou noutra vida
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Roda da Fortuna
Em algum lugar por aí
Uma borboleta sai do casulo
E uma mulher veste preto
Para ir ao velório do filho.
Uma nova vida é criada
E alguém entra num centro cirúrgico,
É colocado para dormir
Rezando para acordar.
Um peixe pula sobre as águas
A tempo de escapar da boca do urso
E um feto escorrega pela fenda
Do colo do útero, numa fisgada de dor.
Duas pessoas trocam olhares
E se apaixonam
E um pai ensina matemática para o filho,
Descobrindo que o jeito de se dividir,
Hoje em dia, é diferente.
Um leão estraçalha uma gazela.
Pais contam aos filhos
Que decidiram pelo divórcio.
Contratos dos sonhos são assinados.
Músicas tocam,
Artistas dançam e compõem.
Rios correm,
Flores se abrem,
Crianças sorriem.
E eu aqui, olhando pela janela
Penso em você, tristemente,
Como se nada mais no mundo existisse...
Eu te amo.
Uma borboleta sai do casulo
E uma mulher veste preto
Para ir ao velório do filho.
Uma nova vida é criada
E alguém entra num centro cirúrgico,
É colocado para dormir
Rezando para acordar.
Um peixe pula sobre as águas
A tempo de escapar da boca do urso
E um feto escorrega pela fenda
Do colo do útero, numa fisgada de dor.
Duas pessoas trocam olhares
E se apaixonam
E um pai ensina matemática para o filho,
Descobrindo que o jeito de se dividir,
Hoje em dia, é diferente.
Um leão estraçalha uma gazela.
Pais contam aos filhos
Que decidiram pelo divórcio.
Contratos dos sonhos são assinados.
Músicas tocam,
Artistas dançam e compõem.
Rios correm,
Flores se abrem,
Crianças sorriem.
E eu aqui, olhando pela janela
Penso em você, tristemente,
Como se nada mais no mundo existisse...
Eu te amo.
terça-feira, 16 de junho de 2015
Plano
Não vou mais prometer
Prá mim mesma
Que é a última vez
Que eu penso em você
Que é o último poema
A última carta
A última declaração
A última lágrima
Vou deixar acontecer
Como acontece de o rio passar
De a estação mudar
De o dia escorrer entre os dedos
Eu não calculei o começo
Errei a mão no durante
E não previ o fim
Que pressa tenho agora?
Não vou mais fingir
Que tenho controle sobre isso
Que me conheço tão bem
Que prevejo meus próximos passos
Quero que a última vez
Passe despercebida
Não deixe marca
Nem saudade
Prá mim mesma
Que é a última vez
Que eu penso em você
Que é o último poema
A última carta
A última declaração
A última lágrima
Vou deixar acontecer
Como acontece de o rio passar
De a estação mudar
De o dia escorrer entre os dedos
Eu não calculei o começo
Errei a mão no durante
E não previ o fim
Que pressa tenho agora?
Não vou mais fingir
Que tenho controle sobre isso
Que me conheço tão bem
Que prevejo meus próximos passos
Quero que a última vez
Passe despercebida
Não deixe marca
Nem saudade
domingo, 14 de junho de 2015
Abrindo o Jogo
Eu me declarei chorando
Explodindo de tristeza
Não sabia a quem recorrer
Ou quem podia me ajudar
A não ser ele mesmo
Que não entendeu nada
Foi pego de surpresa
Tanto quanto eu fui
Pela intensidade
Do meu sentimento
"Me ajuda" - eu pedia
"Me salva de mim mesma"
Ele segurou as minhas mãos
Enxugou as minhas lágrimas
Beijou o meu rosto
E me prometeu
"Nunca, nada... não chora...
Eu garanto..."
E cumpriu.
Por dois meses.
Do resto, a vida
Se encarregou...
Explodindo de tristeza
Não sabia a quem recorrer
Ou quem podia me ajudar
A não ser ele mesmo
Que não entendeu nada
Foi pego de surpresa
Tanto quanto eu fui
Pela intensidade
Do meu sentimento
"Me ajuda" - eu pedia
"Me salva de mim mesma"
Ele segurou as minhas mãos
Enxugou as minhas lágrimas
Beijou o meu rosto
E me prometeu
"Nunca, nada... não chora...
Eu garanto..."
E cumpriu.
Por dois meses.
Do resto, a vida
Se encarregou...
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