terça-feira, 26 de março de 2019
Bailarina
Bailarina, meu amor
Amarras as sapatilhas com as minhas coronárias
E pisas nos cacos do meu coração
Com displicência
(Qual pedaços de casca de ovo
Cujo ruído não a distrai
Da imagem do espelho)
Bailarina, minha dor
Agarras o momento como se fosse o último
E desmereces meu olhar da plateia
Com seus gestos cadenciados
Que sou só mais um fã encantado
Um bobo da corte apaixonado
Que morre pra estar ao seu lado
Volta
Não se faz amor com um corpo
Faz-se com os sorrisos, a atenção, a vontade de estar juntos
Não se faz amor com uma pessoa
Faz-se com o momento, a coincidência, a história que se vive
Não se faz amor entre dois
Incluem-se esperança, transcendência, a frágil permanência
Não se faz amor com a matéria
Faz-se amor com a ideia
(E o sentimento)
terça-feira, 19 de março de 2019
Eu quero
Eu quero a fome
O apetite
E o medo de engordar
O cálculo
As asas
O impulso de me lançar
Quero resultado
Desperdício
Energia e rebuliço
Afinal a vida é minha
E ninguém
Tem nada com isso
sexta-feira, 8 de março de 2019
Dia das Mulheres
Cada vez que alguém exige que as filhas zelem pela casa, enquanto os filhos folgam, está ensinando às mulheres que elas só valem enquanto serviçais.
Cada vez que uma família decide pagar os estudos dos filhos e não das filhas, porque aguardarão o casamento e viverão o padrão de vida que o marido oferecer, está ensinando que cabe a elas o papel de coadjuvante.
Cada vez que uma mãe aceita o abuso do companheiro, na frente das filhas e filhos, ensina que o relacionamento é mais importante do que a autopreservação.
Cada vez que uma mulher rivaliza com a outra, por causa de um interesse amoroso, diz pra si mesma que o troféu é ele, menosprezando o próprio valor e condicionando-o à escolha do cara.
Repensemos atitudes sem pregar aversão, agressividade e ódio aos homens.
Amemos mais as mulheres: nós, as idosas, as meninas. Trabalhemos no que está ao nosso alcance. O resto é consequência.
Quem está confortável não vai receber e acatar ordens de mudar.
quarta-feira, 6 de março de 2019
Pacífico
A paz de ainda não existir
Ser uma ideia
Pulsão
Possibilidade
A paz da descoberta
De ir pra esquerda
Direita
Parar pra olhar melhor
A paz de poder ser bom
Ruim
Mais do mesmo, ou
Menos porque que nunca foi
A paz de um projeto que não existe
De uma receita não experimentada
A paz de deixar a vida acontecer
terça-feira, 5 de março de 2019
Amigas
As minhas meninas são de uma gentileza nocauteante
Em ter opiniões flexíveis que não contradizem seus princípios
E amor extenso, mas que não se deixa abusar
Cumprem papéis diferentes e não se abatem pelas contrariedades
Pesam, ponderam, medem e confiam em si mesmas
As minhas meninas são minhas e também de outras amigas
Dos filhos, parceiros, profissões e do mundo
Mas, definitivamente: de outro mundo
Com amor.
Em ter opiniões flexíveis que não contradizem seus princípios
E amor extenso, mas que não se deixa abusar
Cumprem papéis diferentes e não se abatem pelas contrariedades
Pesam, ponderam, medem e confiam em si mesmas
As minhas meninas são minhas e também de outras amigas
Dos filhos, parceiros, profissões e do mundo
Mas, definitivamente: de outro mundo
Com amor.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Tias
Eu tenho umas tias que não falam palavrão nem pra ofender. Mas são maliciosas. Quando falam "pinto" não é sobre a ave. Conhecem todos os nomes começados com "p" e "x" pra falar das partes do sul das mulheres.
Eu tenho umas tias que contam histórias das últimas 5 gerações da família e balançaram o berço de todos os bebês e amamentaram vizinhos.
Eu tenho umas tias que na sua época raspavam as pernas no tanque, moíam caldo de cana e vigiavam as vizinhas solteiras todas.
Eu tenho umas tias que julgam o certo e errado conforme gostam ou não do autor da obra.
Eu tenho umas tias que esculhambam os componentes masculinos da família na hora do almoço só pra fazer as outras tias rirem.
Eu tenho umas tias que abrigaram irmãos alcoólatras, deram força pra sobrinhos em início de carreira, madrugaram inúmeras noites em hospital.
Eu tenho umas tias que vivem em espontaneidade e não pedem desculpa por serem quem são. São mestres em relacionamentos e riem, mesmo que infelizes.
E dariam muito mais que uns 12 livros...
Eu tenho umas tias que contam histórias das últimas 5 gerações da família e balançaram o berço de todos os bebês e amamentaram vizinhos.
Eu tenho umas tias que na sua época raspavam as pernas no tanque, moíam caldo de cana e vigiavam as vizinhas solteiras todas.
Eu tenho umas tias que julgam o certo e errado conforme gostam ou não do autor da obra.
Eu tenho umas tias que esculhambam os componentes masculinos da família na hora do almoço só pra fazer as outras tias rirem.
Eu tenho umas tias que abrigaram irmãos alcoólatras, deram força pra sobrinhos em início de carreira, madrugaram inúmeras noites em hospital.
Eu tenho umas tias que vivem em espontaneidade e não pedem desculpa por serem quem são. São mestres em relacionamentos e riem, mesmo que infelizes.
E dariam muito mais que uns 12 livros...
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