sábado, 18 de fevereiro de 2023
Carnaval 2023
Ao meu lado, eu quero gente feliz e festeira. Que ri de chorar de si mesma e faz dancinha pra celebrar uma boa companhia.
Gente que se contenta com pouco porque sabe que de pouco também se vive e celebra a maravilha que é ser humano. E, estando no muito, distribui com generosidade.
Que fica eufórico só de respirar o oxigênio das possibilidades mil.
Que não precisa se sustentar emocionalmente às custas de críticas às fraquezas dos outros.
Comigo, quero gente que ama viver. Apesar de, contudo, todavia, conhecer a maldade e ter umas e outras histórias tristes pra contar.
Gente que pode ter a vida guinada bruscamente, e não perde a essência do bom olhar.
Que é exceção, mas existe. Que surge no caminho para iluminá-lo. Que faz a gente fã, admirador, de quem não se quer sair de perto. Bem perto.
Arlete Franco - Fevereiro/2023
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
Limitada
Só sei escrever sobre pés andantes
Que procuram fontes
Que vislumbram pontes
A sede da conexão com alguém
Só sei escrever sobre mãos que clamam
Almas que chamam
Aos ouvidos não bloqueados
A inocência de acreditar
Só sei escrever sobre olhos de encanto
Que buscam ninho e manto
Aos que simpatizam com o frio
A esperança de não se estar só
E aos que clamam:
"Monotemática! Entediante!"
Só uma resposta:
"Mea culpa
Mea culpa
Mea culpa..."
Arlete Franco - Dezembro/2021
terça-feira, 28 de setembro de 2021
Arlete
Dá um desconto aí
Desconta a solidão
O abandono
E as portas fechadas na cara
O não cabimento
O não pertencimento
O não ser de ninguém
Quando ninguém fotografava
Dá um desconto aí
Do sobrenome que todo mundo tem
Do "essa aí vai dar em nada
Ou vai dar pra todo mundo"
Da promissória que ninguém quer assinar
Da esperança num futuro que nunca foi garantido
Ou melhor: dá desconto não
Cobra tudo!
Houve anjos nas rodoviárias vazias na madrugada
Houve mães nas mães das crianças bem nascidas
Houve madrinhas e apostas de desconhecidos
E o que eu não tive, aparentemente
E graças a Deus
Foi o que eu não precisava
Pra chegar onde cheguei
Chegar em mim
Arlete Franco
Setembro/2021
domingo, 10 de janeiro de 2021
Ofício
Poetas sangram palavras
Ignoram anemias
E seguem intensos pelo mundo
Encantam-se com relâmpagos sutis
Desprezam avisos
E colecionam estrelas
Poetas seguem maltrapilhos
Entre tristeza e brilho
No que existe de profundo
Sobem ao céu em êxtase
Descem pra Terra pelo humano
E nunca são em vão
Arlete Franco
terça-feira, 15 de setembro de 2020
Finito
E quando as águas do tsunami subirem
E quando a artéria mais calibrosa se romper
E quando as cortinas se fecharem
E quando você voltar ao silêncio do útero
Não foi a sua mãe e o leite que negou
Nem o seu pai no trono distante em que se empoleirou
Não foram os amores ou quase
Ou os amigos de cada fase
Não foram os tombos, sustos, assombros
Não foram as comédias, dias mornos, tragédias
Não foram as cobras, gatos, lagartos
Não foram as cores, cheiros ou sons
Foi só você
O que viu dentro, enraizado
Arrancou com a mão e ofertou ao mundo
Foi sempre só você
quarta-feira, 9 de setembro de 2020
Expressão
O amor não fala português
Ou nenhuma outra língua romântica
Não disputa com o rebuscado dos poetas
Nem com a devoção das mães
O amor grita através de atos
Só pros ouvidos de quem interessa saber:
"Passe o tempo
Passe o mundo
Estou aqui
Com
E para
Você..."
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
Amor Meu
Me leva pro seu canto
Seu manto, seu colo
Tudo que eu adoro
Me prende nos seus braços
Beijos e abraços
Meu amor, eu imploro
Me deixa ficar
Prometo só dizer "sim"
Ser amada por você
Me faz a versão mais feliz de mim
Assinar:
Postagens (Atom)