domingo, 7 de junho de 2015

Desabafo

Não foi
O homem mais bonito
A melhor pessoa ou
O sorriso mais doce
Que eu conheci

Não foi
Uma linda história
Um beijo quente
Uma saudade sofrida ou
Um rótulo qualquer adequado

Mas foi
O maior vendaval
A puxada de tapete
O tirar do meu chão
A surpresa
O enigma
O esclarecimento
A confusão

Emoções conflitantes
Decisões se alternavam
Sede e repulsa
Vontade e medo

O depositário
Dos meus segredos
Porque o maior deles
Era ele mesmo

Uma sucessão
De silêncios
E muita coisa dita
Em frases poucas
E definitivas

E na minha cabeça
Ecoa a sua voz
Prá sempre
No meu sentimento
De perda de nada
E de tudo
Ele me diz
"Que pena..."


sábado, 6 de junho de 2015

Pais e Filhos

O sexo é
Vital
Enquanto
Para se criar
Uma vida
Duas outras
Tiverem
Que se fundir
Mesmo que
Num único ato
Tão longe
De amar

O amor é
Necessário
Enquanto
Nascerem
Bebês
Frágeis
Seres
Dependentes
Da existência
Dos outros

O amor é
Fundamental
Enquanto
Como seres
Humanos
Nossos
Defeitos
Precisem
Ser tolerados

O amor é
Insubstituível
Porque
Existe
Tanta gente
Incapaz de amar
Gerando filhos
Por aí


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Lua Cheia

Eu hoje queria ser uma loba selvagem
Subir o morro mais alto e gritar para a lua com todo o ar dos meus pulmões

Vomitar a minha dor até fica rouca porque
Chorar não me basta
Chorar não me basta
Chorar não me...

Eu segui as regras e arranquei a minha pele
Me entreguei com frio e em carne viva
Em confiança ao dono

Recebi o prometido
Mas antes um banho de salmoura
Para que a felicidade saísse a mais cara possível
Sobrevivi, mas nunca mais a mesma

Queria dar esse grito aliviador
Prova de vida
Expurgo de dor

Por que a lição a se aprender tem que ser dura?
Por que não se aprende também através de amor?

E agora
Que a garganta se fecha
E estou num apartamento
Eu não sou loba
Agora é o momento certo para o silêncio
Shhh...
(Escuta as lágrimas)...





terça-feira, 2 de junho de 2015

Viajante

Seu coração
Procurava
Um porto
Seguro
De paz

Seus olhos
Ansiavam
Pela terra
Firme
E a segurança
Do amor

Mas a boca
Só conhecia
O gosto
Das lonjuras
E da sede
Do descobrimento

Mulherão número 5

Eu não me importava
Em segui-la
Por onde quer que fosse
Como faziam seus poodles

Estava no seu calcanhar
Quando ela ía
Ao supermercado
Da sala para a cozinha
Ou da casa para a piscina

Porque quando
Ela me pegava no colo
Era carinho de quase mãe
E eu só faltava ronronar
Ou latir de alegria

Às vezes ela me jogava
Uma bolinha
(Talvez para me distrair
E eu sair do seu pé?)
Risos
Eram livros e mais livros
Biografias de mulheres fortes
Do tipo que ela admirava
E no qual provavelmente
Queria que eu me tornasse

Cultivou-me como
A uma plantinha
A filha que não teve
Extendeu o amor
Que tem à minha mãe
Para multiplicar-se
Em benfeitoria para mim

Me pagou o curso de inglês
Me ajudou num momento difícil
E salvou a vida da amiga de infância

E eu admiro tudo nela
A voz e o sotaque
O jeito de amar a família
A dedicação aos homens de sua vida
A relação com a mãe
A sobriedade com que analisa o mundo
A serenidade frente
Aos problemas mais difíceis

E sua opinião será sempre
Bem-vinda e ouvida
Sobre vaidade, profissão,
Amizade, amor, o que for

Faz corrente de oração
Por mim e meus filhos até hoje
E é um anjo em minha vida

Pouca gente tem madrinha
Que merece tanto o título
Quanto a minha:
Alma amorosa
Cuja capacidade de doação
Só pode ser dádiva divina
Te amo, Márcia Martins

Gota D'água

Ele não ligava
Prás pequenas
Trapaças
Bem sabia
Que o uísque
Do início da noite
Era um
E o do fim
Era outro
(Supunha-se que todos
Estavam bêbados
E não notariam)

Dava um desconto
Porque era rico
Porque a casa
Era de alegria
E as meninas
Bem treinadinhas
Fingiam que se
Envolviam

E ele tinha as
Suas favoritas
Que o conheciam
Pelo nome
E massageavam
O seu ego
E outras coisitas
Ooooopa!
Coisonas!
Mais...

Mas não teve jeito
A dama do lugar
Tão esperta
Com tanto tino
Comercial
Tanto bom gosto
Para convencer
Ex-misses
A trabalhar
Deu um belo de um tiro
No pé!

Ele nem se importava
Em dar de cara
Com uma ave
De vez em quando
Na saída de um quarto

Mas na hora
Que o maldito louro
Começou a chamá-lo
Pelo nome e sobrenome
Decidiu:
Definitivamente,
Era hora de trocar
De puteiro!

Promessa

No dia que eu
Sentar no seu colo
E cheirar o seu rosto
Bagunçar seu cabelo
E beijar sua boca

Cê vai se arrepender
De ter me conhecido

No dia que eu
Resolver está na hora
E falar "rumbora"
Sua mão na minha cintura
Minhas coxas suadas
Coladas nas suas

Cê vai perceber
Que não tem como fugir
Que não tem mais saída
Que não vai me esquecer
Tenta só procê vê...