Eu não vou vê-lo hoje
Mas se eu fechar os olhos, posso
Até sentir o cheiro
Me alegra saber que bem que você queria
E me encanta a sua sutileza inteligente
Eu não vou estimular o seu interesse
E ficarei triste quando ele acabar, eu sei
Mas não entendo por que você me orbita
Se é por lembrar
Ou por esquecer
De quem eu sou
sexta-feira, 31 de março de 2017
Combinamos
Café com leite
Pão com manteiga
Goiabada com queijo
Arroz com feijão
Bife com batata frita
Banana com mel
Damasco com chocolate
Cupuaçu com leite condensado
Acarajé com pimenta
Menta com água gelada
Eita...
Eu com você!
Pão com manteiga
Goiabada com queijo
Arroz com feijão
Bife com batata frita
Banana com mel
Damasco com chocolate
Cupuaçu com leite condensado
Acarajé com pimenta
Menta com água gelada
Eita...
Eu com você!
quarta-feira, 29 de março de 2017
Operação
Aos 22 anos, percebi que ler de longe o destino do ônibus era cada vez mais difícil.
Fui ao oftalmologista sem contar pra ninguém. Comprei um óculos avantajado de armação de acrílico cor de vinho. Cheguei de manhã ao hospital, meu professor, que me via todo santo dia, me perguntou se eu havia trocado o óculos. Respondi que "sim" com a cabeça. Por dentro, ri. Ele era tão egocêntrico, eu não poderia esperar outra coisa.
À tarde, fui procurar o meu amor. Me contaram que ele estava no centro cirúrgico. Raridade. Pensei "perfeito!". Camadas e mais camadas de roupa, um gorro escondendo o cabelão, máscara e só os olhos com aquele óculos enorme que ele não conhecia. Cheguei junto da mesa, ele não era o cirurgião principal e estava com cara de entediado. Passou os olhos por mim várias vezes. Tentei ficar séria. Mas na hora que me reconheceu, os olhos brilharam e se apertaram no sorriso. Depois me disse que jamais esperava por aquilo. E depois não aprovou a minha cirurgia plástica. Era doido por uma nariguda de óculos.
Esses dias, uma amiga me perguntou se sinto falta dos meus 20 anos. Respondi que não. Só dele.
Fui ao oftalmologista sem contar pra ninguém. Comprei um óculos avantajado de armação de acrílico cor de vinho. Cheguei de manhã ao hospital, meu professor, que me via todo santo dia, me perguntou se eu havia trocado o óculos. Respondi que "sim" com a cabeça. Por dentro, ri. Ele era tão egocêntrico, eu não poderia esperar outra coisa.
À tarde, fui procurar o meu amor. Me contaram que ele estava no centro cirúrgico. Raridade. Pensei "perfeito!". Camadas e mais camadas de roupa, um gorro escondendo o cabelão, máscara e só os olhos com aquele óculos enorme que ele não conhecia. Cheguei junto da mesa, ele não era o cirurgião principal e estava com cara de entediado. Passou os olhos por mim várias vezes. Tentei ficar séria. Mas na hora que me reconheceu, os olhos brilharam e se apertaram no sorriso. Depois me disse que jamais esperava por aquilo. E depois não aprovou a minha cirurgia plástica. Era doido por uma nariguda de óculos.
Esses dias, uma amiga me perguntou se sinto falta dos meus 20 anos. Respondi que não. Só dele.
Tesouro
As pessoas com quem me importo são as minhas pérolas. Carrego-as no colo. Dou polimento com presença e palavras (faladas ou escritas). Quanto mais eu amo, mais maternal eu fico.
Têm cores diferentes, ocupam espaços variáveis ao longo do tempo. Uma fica maior, outra menor, conforme coincidem os interesses e as fases da vida. Mas nenhuma é esquecida.
Acontece que, ao contrário das pérolas, não são objetos. Têm querer e perninhas. Então, de vez em quando, uma resolve saltar fora. Dependendo de qual, me entristece muito. Principalmente quando sei que foi por um mal entendido. Ou que a pessoa está sendo injusta, ao meu ver. Que talvez ela não tenha o alcance emocional de viver o que eu sinto por ela.
E daí eu tenho que lidar com a falta, e me educar pra respeitar o livre arbítrio. Deixar o tempo passar. Cada caso é um caso, não dá pra prever como evolui.
Novas pérolas chegam quase todo dia. Tem umas que não me encantam. Tem umas que estão aqui há décadas. Sigo polindo e admirando. Pouca gente é tão rica quanto eu. Meu tesouro é lindo.
Têm cores diferentes, ocupam espaços variáveis ao longo do tempo. Uma fica maior, outra menor, conforme coincidem os interesses e as fases da vida. Mas nenhuma é esquecida.
Acontece que, ao contrário das pérolas, não são objetos. Têm querer e perninhas. Então, de vez em quando, uma resolve saltar fora. Dependendo de qual, me entristece muito. Principalmente quando sei que foi por um mal entendido. Ou que a pessoa está sendo injusta, ao meu ver. Que talvez ela não tenha o alcance emocional de viver o que eu sinto por ela.
E daí eu tenho que lidar com a falta, e me educar pra respeitar o livre arbítrio. Deixar o tempo passar. Cada caso é um caso, não dá pra prever como evolui.
Novas pérolas chegam quase todo dia. Tem umas que não me encantam. Tem umas que estão aqui há décadas. Sigo polindo e admirando. Pouca gente é tão rica quanto eu. Meu tesouro é lindo.
terça-feira, 28 de março de 2017
Bocão
Um brinde à boca
De sorriso lindo
Que com uma só palavra
Coloca um na minha
(A linguagem não verbal é poesia entre nós)
De sorriso lindo
Que com uma só palavra
Coloca um na minha
(A linguagem não verbal é poesia entre nós)
segunda-feira, 27 de março de 2017
Cama
Pouca coisa é mais íntima do que a cama de um casal. Lugar de ajustes.
Quem dorme de que lado. A que horas. Quem ronca. Aturável? Quem levanta tentando chacoalhar o mínimo pra não acordar o outro. Ou não, porque ele(a) hiberna. Quem acorda mais cedo pra fazer o café. Ou escovar o dente e liberar o banheiro.
Ali acontece o sexo. Minha vontade, a sua. Minha necessidade, a sua. Talvez uns bebês. "Olha, é assim que eu sou enlouquecida de tesão. Assim que eu gemo, assim que eu me dedico a te dar prazer." Entrega. Quebra de tabus. Troca. Instinto.
A conversa antes de dormir. Os assuntos mais prementes. Decisões. Pedidos de desculpas (sinceros ou - aaaaaargh - não), pra não terminar o dia brigados. As crianças, as finanças, os sogros, os planos, viajar ou trocar de carro?
De vez em quando um doente, largado lá, e o outro cuidando. Ou os dois.
Os cheiros que se tem ao acordar. O humor. O pijama puído que é o preferido, e mesmo ganhando novos, não se deixa de usar. A cara amassada, o cabelo maluco, fotografias que jamais publicaria. Uns vídeos íntimos, talvez?
A cama de casal consolida a parceria. Escancara a intimidade.
Coisa mais linda ver quem a gente ama dormindo.
Calculo a dor de quem descobre que o outro trouxe algum estranho pra deitar ali.
Quem dorme de que lado. A que horas. Quem ronca. Aturável? Quem levanta tentando chacoalhar o mínimo pra não acordar o outro. Ou não, porque ele(a) hiberna. Quem acorda mais cedo pra fazer o café. Ou escovar o dente e liberar o banheiro.
Ali acontece o sexo. Minha vontade, a sua. Minha necessidade, a sua. Talvez uns bebês. "Olha, é assim que eu sou enlouquecida de tesão. Assim que eu gemo, assim que eu me dedico a te dar prazer." Entrega. Quebra de tabus. Troca. Instinto.
A conversa antes de dormir. Os assuntos mais prementes. Decisões. Pedidos de desculpas (sinceros ou - aaaaaargh - não), pra não terminar o dia brigados. As crianças, as finanças, os sogros, os planos, viajar ou trocar de carro?
De vez em quando um doente, largado lá, e o outro cuidando. Ou os dois.
Os cheiros que se tem ao acordar. O humor. O pijama puído que é o preferido, e mesmo ganhando novos, não se deixa de usar. A cara amassada, o cabelo maluco, fotografias que jamais publicaria. Uns vídeos íntimos, talvez?
A cama de casal consolida a parceria. Escancara a intimidade.
Coisa mais linda ver quem a gente ama dormindo.
Calculo a dor de quem descobre que o outro trouxe algum estranho pra deitar ali.
Sobre o M.
Se precisar eu reformulo
Mudo de rumo
Desvio de rua
Refaço costumes
Escolho outros pensamentos
Sigo o caminho mais fácil
Se eu quiser eu digo pro meu coração
Que a história fica por isso
E já deu o que tinha que dar
(Fiz tantas vezes, sou craque)
Mas ainda não...
Ainda está divertido
Mudo de rumo
Desvio de rua
Refaço costumes
Escolho outros pensamentos
Sigo o caminho mais fácil
Se eu quiser eu digo pro meu coração
Que a história fica por isso
E já deu o que tinha que dar
(Fiz tantas vezes, sou craque)
Mas ainda não...
Ainda está divertido
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